Archive for setembro \27\UTC 2007

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A nova cara da Lapa

setembro 27, 2007

Morar na Lapa, ter a Lapa como um lar. Essa será a vida de algumas pessoas como Sérgio Barros, 28 anos, advogado, e Carolina Almeida, 20 anos, estudante de Comunicação da UFRJ.

Sérgio e Carolina serão um dos mais de 688 novos moradores do condomínio Cores da Lapa. O jovem casal resolveu comprar o seu primeiro lar em um dos projetos mais ousados que vem sendo desenvolvido na Lapa.

“Morar na Lapa será uma das melhores coisas que a gente vai fazer. Eu trabalho no Centro e moro na Barra. A Carol estuda na Praia Vermelha na UFRJ e mora no Leblon. Com certeza morar no bairro será ótimo para começarmos a nossa vida conjunta”, afirmou Sérgio.

Desde que o jovem casal resolveu noivar em julho de 2005, após dois anos de namoro, a prioridade passou a ser achar um apartamento ideal para a rotina dos dois.

“Eu me formo em dezembro de 2008 e não temos pressa para casarmos. O apartamento foi um presente surpresa dos meus pais. Na verdade, papai descobriu tínhamos vontade de arranjar algum lugar na Lapa para morarmos e nos fez essa surpresa”, declarou Carolina.

“Talvez não morássemos no Cores se estivéssemos que ainda juntar nosso dinheiro. Os apartamentos esgotaram em pouco tempo. Para mim foi uma surpresa o Seu Roberto ter conseguido comprar”, complementou Sérgio.

Sérgio e Carolina afirmaram que a proximidade do Centro e a paixão pelos bares e casas noturnas do lugar influenciaram na escolha do bairro como moradia.

Quando questionados por que não decidiram antes mudar para a Lapa ou se já haviam pensado antes nessa possibilidade, o casal afirmou já ter pensado. Mas que tudo tornou-se mais concreto com a crescente transformação do local.

“Acreditamos que a Lapa se tornará também um local ótimo para moradia. Não sei se existem famílias, quero dizer, pais com filhos pequenos que estejam se mudando para lá. Mas uma galera boa sem dúvida formará a nossa vizinhança”, aposta Carolina.

Muito ansiosos, o casal aguarda montando o enxoval, o dia da mudança para a casa nova e quando passarão a morar de fato no bairro.

“Serão duas mudanças maravilhosas para a nossa vida. E quando estivermos estáveis aguardaremos para a terceira mudança, o nosso bebê que formará nova galera da Lapa”, disse Sérgio apoiado por sua futura esposa.

Por Milena Veloso

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Fundição de Cultura

setembro 20, 2007

Em 1912 surgia na rua dos Arcos, na Lapa, o prédio majestoso da Cofres & Fogões Progresso, uma fundição de cofres e fogões que se instalou no local em 1881. A fábrica funcionou a pleno vapor até 1976, quando foi fechada e abandonada devido à um projeto governamental que visava seguir os ideais do ex-prefeito Pereira Passos, e construir uma grande avenida, cortando o Centro de norte a sul. No início da década de 1980, a fachada da antiga fundição começou a sentir as primeiras marretadas de sua demolição, mas foi aí que um grupo de artistas da época se mobilizou para salvar o prédio histórico. Os integrantes do Circo Voador, que funcionava ao lado da antiga Cofres & Fogões, se puseram entre os operários da obra e o prédio enquanto outros circenses iam buscar ajuda e ligavam para a imprensa. A atitude deu certo, a obra foi embargada, e em 1987 a Prefeitura e o Estado concederam ao Circo o uso do espaço da fundição.

fundicao-de-ladinho.jpgTempos depois, os fundadores da Fundição e do Circo se afastaram, por divergências entre os sócios. Mas em 1999, o fundador do Circo Voador, Perfeito Fortuna, foi eleito como presidente da ONG Fundição de Arte e Progresso e reiniciou que tinha começado anos antes. As obras foram retomadas e, no mesmo ano, diversos grupos artísticos – entre eles a Intrépida Trupe e o Teatro Anônimo – foram chamados para ocupar a Fundição. A ONG administra o espaço até hoje, com o ideal de desenvolver diversas culturas e atividades, colocando ao alcance do público iniciativas pioneiras e autônomas nas áreas de arte, educação, meio-ambiente e projetos sociais. Segundo a assessora de Comunicação da Fundição Progresso, Miriam Roia, a casa “é um lugar com programação para todos os gostos e bolsos”. Ela lembra que a Fundição não é apenas uma casa de shows, mas um centro cultural com cerca de 17 grupos artísticos que têm sede, desenvolvem e exibem seus trabalhos aqui”.

Hoje a Fundição Progresso é um dos espaços culturais mais respeitados da cidade, freqüentado por todas as tribos que compõem o cenário da Lapa. Miriam acrescenta que esse público é “acima de tudo jovem e interessado em ver o que se passa na cena da música brasileira”. A Fundição já foi palco de shows históricos e de diversos artistas, de Alceu Valença até Zeca Pagodinho, de Asa de Águia a Zélia Duncan, passando por Cássia Eller, Caetano, Lulu Santos, Nando Reis, Djavan, Jorge Ben Jor, O Rappa, Cidade Negra, Los Hermanos entre muitos outros. Mas os três palcos dessa casa não se limitam às celebridades nacionais, vários artistas do cenário mundial também já tocaram ali, como Manu Chao, Israel Vibration, Franz Ferdinand, entre outros, e o próximo grande show internacional será de Marilyn Manson, o que deixa claro a proposta eclética e democrática do lugar. Os quase 5 mil metros quadrados são divididos em cinco áreas e a arena maior tem capacidade para cinco mil pessoas. fundicao-show.jpg

A Fundição Progresso acabou se tornando um dos maiores – e únicos – “templos” de todas as tribos, o que reflete a maneira com a qual o publico enxerga o espaço. Atualmente, os 17 grupos artísticos realizam cerca de 30 oficinas e cursos na casa, o que define a Fundição como centro cultural. Ao invés da grande avenida que a derrubaria, o espaço acabou se tornando uma grande via de acesso à cultura.

Por Carolina Ruiz

Fotos: arquivo Fundição Progresso

Fontes:
Fundição Progresso
Portal GEO – Instituto Pereira Passos
G1 – Portal de Notícias Globo.com
Contro da Cidade
Lá na Lapa

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Lapa também é moradia

setembro 13, 2007

Lugar da boemia carioca e de um tradicional roteiro cultural, quem poderia acreditar que mesmo com a rápida revalorização, a Lapa poderia ser lugar de moradia? Pois essa é a nova aposta de algumas construtoras: a valorização no mercado imobiliário residencial do bairro.

Construtoras de prestígio como a CHL, conhecida por seus investimentos na Zona Sul do piscina do condominio Viva LapaRio, e a paulistana Klabin Segall já entraram na nova tendência. Condomínios residenciais já estão sendo construídos no bairro e são sucesso de vendas. O empreendimento residencial Cores da Lapa vendeu as suas 688 unidades em menos de duas horas. Mais surpreendente ainda foi a procura que resultou na venda dos 178 apartamentos, em menos de uma hora, do mais recente lançamento, o Viva Lapa, localizado na rua Gomes Freire.

A praticidade em se obter em um mesmo lugar lazer, proximidade ao trabalho, diversão, cultura e boemia vêm encantando os cariocas. Mas todo esse processo de transformação está fazendo com que o bairro sofra uma reurbanização e descaracterização. Tal mudança está na construção de farmácias, padarias e outras lojas de conveniência e cria um novo mercado para a Lapa.
Pessoas que freqüentam e trabalham no bairro aprovam a idéia, mas temem com as possíveis mudanças na região, como o criador do site Lá na Lapa, Nelson Porto:
– A construção de condomínios residenciais faz parte do processo de revitalização da Lapa, assim como está ocorrendo no Catete e é um mega sucesso. Eu tenho medo do que possa acontecer com o Democráticos, porque o lugar talvez tenha que sofrer com reformas, como a instalação de acústica. Mas, esse processo é enriquecedor para o bairro e trará muitos avanços.

Essas propostas inovadoras sem dúvidas passarão a ser mais uma forma de transparecer a democracia, a universalidade da Lapa. Um lugar de malandros e intelectuais, ricos e pobres, boemia e cultura, tudo em plena harmonia.

Por Milena Veloso

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Uma Gruta Histórica

setembro 6, 2007

Muitos dos jovens boêmios – talvez quase todos – que atualmente freqüentam as noites do bairro da Lapa, provavelmente não sabem que “lapa” significa “gruta”. Essa gruta está associada a uma santa cuja história remonta à Idade Média, época em que os mouros invadiram Portugal. Quando um convento beneditino foi atacado, algumas religiosas conseguiram escapar e esconderam uma imagem de Maria em uma pequena gruta. Cinco séculos mais tarde, uma menina muda encontrou a escultura esquecida e a levou para casa, pensando ser uma boneca. A menina recuperou a fala milagrosamente e a gruta virou um local de culto. Esta milenar invocação rendeu à cidade do Rio de Janeiro a construção da igreja mais antiga do bairro nomeado a partir da Santa.

para-materia-fachada-igreja.jpg Fundada originalmente com o nome de Igreja de Nossa Senhora da Lapa, a igreja teve sua construção iniciada em 1751, um ano após o Capitão Antônio Rabelo Pereira ter doado o terreno para um Seminário de padres. Em 1753 a igreja foi fundada pelo missionário apostólico Padre Ângelo Siqueira. A igreja funcionava normalmente, até que, em 1810, Dom João VI decidiu ocupar a Praça XV, onde moravam os padres carmelitas da cidade. Em troca, D. João cedeu a Igreja Nª Sra da Lapa como nova moradia para os padres. No mesmo ano, os carmelitas rebatizaram a igreja, que passou a se chamar Igreja de Nª Sra do Carmo da Lapa, agora com a imagem das duas santas.
Em 1824, após em incêndio, a igreja inicia uma longa reforma, ganhando (entre outras coisas) azulejos raros para suas para-materia-arco-cruzeiro.jpgduas torres.

Em 1827 ergueu-se o arco cruzeiro na construção, e em julho de 1849, quando a reforma foi, finalmente, finalizada, a Igreja ganhou status de templo abençoado. Entre o que restou depois do incêndio, foram resgatadas peças de valor histórico, como telas atribuídas a João de Souza, imagens de apóstolos chapeadas em prata, atribuídas a Mestre Valentim – também responsável pela construção do altar-mór de Nª Sra do Carmo –, um órgão francês do séc. XIX, e também os restos mortais de Frei Pedro de Souza de Santa Mariana, preceptor do infante D. Pedro II – um freqüentador assíduo das festas do Espírito Santo que a igreja costumava realizar.

Hoje a igreja encontra-se sob a responsabilidade de Frei Reinaldo Rodrigues das Chagas, cargo que já foi ocupado por nomes como Frei Caneca e Frei Leandro. A Igreja Nª Sra do Carmo da Lapa do Desterro atualmente sofre com o desrespeito que muitos têm com sua história e seu valor. Freqüentadora há mais de 50 anos e funcionária há cerca de 10, Assunta Petruccelli, atual responsável pelo convento que funciona junto à igreja, diz que há anos a igreja vem sofrendo furtos e assaltos à mão armada.

para-materia-torre.jpg Ainda assim, a igreja sustenta-se hoje das doações que costuma receber de seus freqüentadores e devotos das duas santas. Como subsidiária da Ordem do Carmo na cidade, a igreja criou a Fundação São Martin, que realiza trabalhos sociais com crianças de rua, oferecendo recolocação em famílias e cursos profissionalizantes (em parceria com o projeto Menor-Aprendiz, da Prefeitura do Estado). Qualquer trabalho voluntário ou doações são bem-vindas no projeto e na igreja, assim como suas portas estão sempre abertas à qualquer visitante. Com duas missas diárias (às 7:00h e às 19:00h), a Igreja Nª Sra do Carmo da Lapa do Desterro permanece funcionando, lutando há mais de 250 anos para sobreviver em meio à expansão urbana da cidade, mas ganhando a cada dia novas experiências que entrarão para a história secular dessa igreja.

Por Carolina Ruiz

                                   

fotos: Carolina Ruiz e Felipe Tavares

fontes: Centro-Lapa, Iphan