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Fundição de Cultura

setembro 20, 2007

Em 1912 surgia na rua dos Arcos, na Lapa, o prédio majestoso da Cofres & Fogões Progresso, uma fundição de cofres e fogões que se instalou no local em 1881. A fábrica funcionou a pleno vapor até 1976, quando foi fechada e abandonada devido à um projeto governamental que visava seguir os ideais do ex-prefeito Pereira Passos, e construir uma grande avenida, cortando o Centro de norte a sul. No início da década de 1980, a fachada da antiga fundição começou a sentir as primeiras marretadas de sua demolição, mas foi aí que um grupo de artistas da época se mobilizou para salvar o prédio histórico. Os integrantes do Circo Voador, que funcionava ao lado da antiga Cofres & Fogões, se puseram entre os operários da obra e o prédio enquanto outros circenses iam buscar ajuda e ligavam para a imprensa. A atitude deu certo, a obra foi embargada, e em 1987 a Prefeitura e o Estado concederam ao Circo o uso do espaço da fundição.

fundicao-de-ladinho.jpgTempos depois, os fundadores da Fundição e do Circo se afastaram, por divergências entre os sócios. Mas em 1999, o fundador do Circo Voador, Perfeito Fortuna, foi eleito como presidente da ONG Fundição de Arte e Progresso e reiniciou que tinha começado anos antes. As obras foram retomadas e, no mesmo ano, diversos grupos artísticos – entre eles a Intrépida Trupe e o Teatro Anônimo – foram chamados para ocupar a Fundição. A ONG administra o espaço até hoje, com o ideal de desenvolver diversas culturas e atividades, colocando ao alcance do público iniciativas pioneiras e autônomas nas áreas de arte, educação, meio-ambiente e projetos sociais. Segundo a assessora de Comunicação da Fundição Progresso, Miriam Roia, a casa “é um lugar com programação para todos os gostos e bolsos”. Ela lembra que a Fundição não é apenas uma casa de shows, mas um centro cultural com cerca de 17 grupos artísticos que têm sede, desenvolvem e exibem seus trabalhos aqui”.

Hoje a Fundição Progresso é um dos espaços culturais mais respeitados da cidade, freqüentado por todas as tribos que compõem o cenário da Lapa. Miriam acrescenta que esse público é “acima de tudo jovem e interessado em ver o que se passa na cena da música brasileira”. A Fundição já foi palco de shows históricos e de diversos artistas, de Alceu Valença até Zeca Pagodinho, de Asa de Águia a Zélia Duncan, passando por Cássia Eller, Caetano, Lulu Santos, Nando Reis, Djavan, Jorge Ben Jor, O Rappa, Cidade Negra, Los Hermanos entre muitos outros. Mas os três palcos dessa casa não se limitam às celebridades nacionais, vários artistas do cenário mundial também já tocaram ali, como Manu Chao, Israel Vibration, Franz Ferdinand, entre outros, e o próximo grande show internacional será de Marilyn Manson, o que deixa claro a proposta eclética e democrática do lugar. Os quase 5 mil metros quadrados são divididos em cinco áreas e a arena maior tem capacidade para cinco mil pessoas. fundicao-show.jpg

A Fundição Progresso acabou se tornando um dos maiores – e únicos – “templos” de todas as tribos, o que reflete a maneira com a qual o publico enxerga o espaço. Atualmente, os 17 grupos artísticos realizam cerca de 30 oficinas e cursos na casa, o que define a Fundição como centro cultural. Ao invés da grande avenida que a derrubaria, o espaço acabou se tornando uma grande via de acesso à cultura.

Por Carolina Ruiz

Fotos: arquivo Fundição Progresso

Fontes:
Fundição Progresso
Portal GEO – Instituto Pereira Passos
G1 – Portal de Notícias Globo.com
Contro da Cidade
Lá na Lapa

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