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E o tal malandro?

outubro 11, 2007

Hoje em dia pode ser muito difícil para alguns enxergarem aquela malandragem tão cantada em versos e prosas sobre o bairro mais tradicional da cidade. A Lapa é até hoje conhecida por sua boemia e sua malandragem, mas será que essa malandragem ainda existe como antigamente? Em 1978 Chico Buarque escreveu a música “Homenagem ao Malandro“, e nela canta que a “tal malandragem” não existe mais. Wilson Batista e Noel Rosa são outros nomes que também já fizeram sambas e músicas sobre essa tão aclamada malandragem.

Para muitos a malandragem sempre existiu, e ainda existe. É aparentemente impossível para vários cariocas verem a Lapa sem a malandragem que Chico há anos cantou. São, aparentemente, coisas indistintas. Mas muitos jovens freqüentadores da Lapa parecem concordar com Chico Buarque: “aquela” malandragem já não existe mais há tempos. Antônio Pontes, 21 anos, estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá, afirma que a idéia de malandragem ainda existe. “A malandragem existe sim, bem deturpada do que era a malandragem dos anos 40 e 50. Hoje em dia essa malandragem se confunde com vagabundagem, mas existir sempre vai existir… é uma constante”, explica o futuro advogado.

Em 1934, em sua música “Rapaz Folgado”, Noel Rosa já dizia que “malandro é palavra derrotista”, usando o mesmo argumento de confusão entre malandro e vagabundo que Antônio utilizou, 73 anos depois. Mas a pergunta persiste, ainda existe a tal malandragem? “Sim! A malandragem existe sim, mas adaptada aos dias atuais. Antes, aquela malandragem era algo típico da Lapa. Hoje em dia não há um traço típico, mas sim vários traços compostos pelos diversos estilos de pessoas que freqüentam a Lapa”, afirma Rafael Xavier, 22 anos, estudante de Direito da FGV.

Assim como Antônio e Rafael, Gian Ciminelli, de 24 anos, estudante da UERJ afirma: “Eu acredito que a malandragem da Lapa de hoje não é mais aquela malandragem de navalha no bolso, correndo da polícia etc. Acredito que a malandragem da Lapa de hoje se configura mais como uma certa ‘aura’ que paira sobre aquele lugar. É tipo uma postura das pessoas de ‘estar-na-rua’, tranqüilo, curtindo ao mesmo tempo em que a cidade pega fogo, cheia de violência e injustiças.”

A opinião permanece igual, tanto entre jovens como entre velhos conhecidos da Lapa. “Hoje, malandragem já é outra coisa, bem diferente do que era. O ‘tal’ malandro já não anda mais por aqui, mas sua alma com certeza continua na Lapa. Quem passa por aqui, logo sente que aquela malandragem existe em cada tijolo dos mais antigos sobrados desse lugar. “, brinca Henrique Oliveira, de 72 anos, aposentado e freqüentador do Clube dos Democráticos. Seu Henrique sintetizou o que muitos pensam sobre o tal do malandro: A malandragem ainda existe como uma idéia, mas como já diria Chico “o malandro pra valer, não espalha, aposentou a navalha tem mulher e filho e tralha e tal”.

por Carolina Ruiz

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Um comentário

  1. Porra…esse antonio ai eh mto bom…
    comentario abalizado…
    soh q eu acho q ele nao sera um futuro advogado
    e sim um futuro juiz…
    mto boa a materia..
    bjoosss



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