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De armazém à glória

outubro 25, 2007

Em 1896, quase 90 anos após as primeiras ocupações da Lapa, no principal Largo do local nasce uma de suas principais construções. Um grande prédio é erguido para ser o armazém Romão, de produtos alimentícios. Esse prédio viria a testemunhar as épocas de glória, decadência e restauração da Lapa.

grande-hotel-fachada.jpgO armazém não deu certo e no mesmo ano o prédio se tornou o Grande Hotel da Lapa. Funcionou até o final da década de 1940, tendo sempre entre seus hóspedes importantes fazendeiros e políticos da República Velha. Em 1948, o prédio foi reformado e se transformou em um dos principais cinemas da cidade, o Cine Colonial. Décadas mais tarde, em 1965, o prédio passa por mais uma reforma, dessa vez a última. A fachada se manteve muito parecida durante todas as reformas, desde o Grande Hotel, porém foi no interior desse prédio que as grandes mudanças aconteceram. Os anos se passaram e o prédio continuou sofrendo transformações. De armazém a hotel, de hotel a cinema, e finalmente, de cinema a uma das principais casas de música da cidade do Rio.

Visando criar um espaço para música erudita no Rio, o prédio passou por uma nova mudança. Sob a gestão do governador Carlos Lacerda, e aos olhos do maestro Henrique Morelenbaum, o prédio foi reformado e, exatamente no dia 1º de Dezembro de 1965, batizado de Sala Cecília Meireles, tem sua grande noite de estréia. Foi o próprio governador quem decidiu o nome que o prédio iria ganhar. Dizia que Cecília Meireles era uma “autora de poemas que nasceram para serem cantados” e, assim, o prédio se tornou uma homenagem à poetisa. No concerto inaugural apresentaram-se nomes como Maria Fernanda (filha de Cecília Meireles) declamando poemas ao lado de Paulo Padilha, Mario Tavares regendo a Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e os solistas Maria Riva Mar e Nelson Freire.sala-cecilia-meireles-de-lado.jpg

A partir daí, nomes do cenário da música erudita como Jacques Klein, Turíbio Santos, e Arthur Moreira Lima estiveram à frente da administração da sala de concertos. Em meados dos anos 1980, entrou para o projeto Corredor Cultural do IPHAN, órgão do Ministério da Cultura. Nos anos 1990, sob a gestão do governador Marcello Alencar, o prédio recebeu um novo tratamento acústico e dois anexos: um auditório chamado de Auditório Guiomar Novaes, e um espaço para coquetéis, o Espaço Ayres de Andrade.

João Guilherme Ripper foi nomeado diretor em 2004, e é quem ainda ocupa o cargo. Em 2005, a SCM completou 40 anos e contou a apresentação de Nelson Freire, Henrique Morelenbaum, entre outros nomes em uma programação comemorativa. Entre os presentes de aniversário, a SCM também ganhou a publicação do livro Sala Cecília Meireles, 40 anos de música, do jornalista Clóvis Marques, lançado em 2006. O livro conta a história de um prédio que, entre outras tantas coisas, tornou-se a única e mais prestigiada casa de concertos dedicada à música de câmara do Rio de Janeiro.

Por Carolina Ruiz

Fontes:
IPHAN – Ministério da Cultura
RioTur – Secretaria de Turismo do Estado do Rio de Janeiro
Funarj (Fundação de Artes do Estado do Rio de Janeiro) – Secretaria de Estado e Cultura
Centro do Rio
Centro da Cidade
Lá na Lapa
Hotsite dos Professores da FACHA

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