Archive for the ‘Entretenimento’ Category

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Sempre tem quem goste, e quem não goste

novembro 29, 2007

Conhecida como um dos lugares mais democráticos do Rio de Janeiro, a Lapa sempre pareceu agradar a todos. Não é incomum ouvir pessoas comentando que é possível encontrar diversão para todo o tipo de gente, e que esse é o melhor fator da Lapa. Mas, na prática, existe muita gente que não gosta de lá.

“Acho a Lapa um lugar meio esquisito. Sei lá! Acho que lá é meio desorganizado, sujo, sombrio. Tenho um certo medo, já fiquei sabendo de vários assaltos por lá”, diz Fernanda Bello, de 21 anos, estudante de Administração no IBMEC. A violência e a insegurança são os fatores que mais afastam as pessoas da Lapa. A falta de iniciativas governamentais em melhorias só agravam esses problemas, que atualmente são problemas em qualquer lugar da cidade. Fernanda ainda completa: “Gosto de poder sair de carro, estacionar em algum lugar que não me dê medo, como as ruas da Lapa me dão. Não gosto de ter que parar longe e ficar andando à pé. Realmente prefiro não ir lá, me sinto muito insegura”.

Em entrevista ao Lapa em Foco, Daniel Koslinski, um dos donos do Grupo Matriz, que possui várias casas noturnas em Botafogo e na Lapa afirma que até mesmo para os comerciantes do local é difícil atrair clientes quando não se pode garantir a segurança. “A iniciativa do estado por ali é muito tímida e pouco abrangente. Existe esse estigma de crescimento e grandes lucros, mas a coisa na verdade é bem diferente. Muita gente ali investiu tudo, apostou no bairro e tem o direito de lucrar, mas mesmo assim é muito difícil porque o poder público não ajuda. O comércio informal toma as calçadas e não deixa espaço para as pessoas caminharem, vendem bebidas alcoólicas para menores, e destroem o lucro dos comerciantes que geram empregos, pagam impostos e vivem ameaçados por inúmeros órgãos de fiscalização. Os flanelinhas dominam as ruas extorquindo dinheiro debaixo das barbas da PM. Isso afasta um público que não está a fim de enfrentar essa guerra.”, diz ele.

Mas nem todo mundo se sente tão ameaçado, e ainda consideram a Lapa como o que há de melhor para se divertir na noite carioca. “A insegurança é algo que está em toda a cidade, sem exceção. Hoje você pode ser assaltada em qualquer lugar, literalmente! Eu já fui assaltada na Lapa, levaram minha bolsa, com tudo que tinha dentro, dinheiro, documentos, celular. Tudo! Mas cara, eu sei que isso podia ter acontecido em qualquer lugar, não aconteceu só porque eu estava na Lapa. A Lapa tem os melhores shows, os melhores bares, lugares que eu nunca vou deixar de freqüentar”, diz Natália Bittencourt, de 20 anos, estudante de cinema da Estácio de Sá, apoiada por seu namorado, João Melo, 21 anos. “É obvio que seria muito melhor se a gente pudesse se sentir cem por cento seguro, mas isso não é mais uma realidade em lugar nenhum da cidade. Com tudo isso, afirmo e repito, a Lapa é o melhor lugar do Rio de Janeiro!”, brinca ele.

Por Carolina Ruiz

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Lapa, uma boa anfitriã

novembro 29, 2007

Que o Rio de Janeiro é uma cidade extremamente turística, todo mundo já sabe. A novidade atualmente está na opção dos viajantes em onde ficar hospedado na Cidade Maravilhosa. Há algum tempo, nenhum turista pensaria duas vezes antes de escolher pontos badalados da Zona Sul como destino, mas de uns tempos pra cá isso tem mudado. Os hotéis cinco estrelas de Copacabana já não são mais a primeira opção para os viajantes, principalmente para a galera mais jovem. Hotéis menores, mais baratos, e em pontos fora dos centros turísticos vêm se tornando as hospedarias mais procuradas pelos viajantes que querem gastar menos sem deixar de se divertir na cidade.

Os albergues vêm sendo cada vez mais procurados por viajantes mais jovens, principalmente pelos adeptos do mochilão. A Lapa é um local rico em albergues e pequenos hotéis, opções principais desses turistas. Com cerca de 15 hospedarias de todos os tipos (a grande maioria situada em Santa Tereza), o local já virou destino de dezenas de viajantes que estão descobrindo a Lapa como parte do Rio de Janeiro, fugindo da obviedade da Zona Sul. O americano Andrew McKay, de 23 anos está visitando o Rio de Janeiro com outros amigos, e escolheram o Terra Brasilis Hostel, em Santa Tereza como sua hospedagem. “É bem mais barato do que um hotel normal. Meus amigos que já visitaram o Brasil disseram que a Lapa era muito legal, achei que seria legal não ficar em Copacabana, e estou muito feliz com a decisão. Podemos visitar tudo durante o dia, e de noite aqui é o lugar perfeito para sair e se divertir!”, diz ele. O dono do albergue, Rogério Moreira está feliz com o empreendimento. O albergue foi inaugurado em Maio deste ano, e há uns dois meses não tinham nenhum hóspede. “Acho que abrimos numa temporada ruim, mas acredito que agora no final do ano vamos ter bastante gente procurando reservar um lugar aqui. A proximidade com a Lapa atrai muita gente.”, afirma o empresário.

Mas a diversão não é a única opção de quem opta pelo Centro da cidade para se hospedar. A peruana Fabíola Gonzáles e o varanda-do-solar-de-santa.jpgmarido Martín Gonzáles acabaram de se casar, e se hospedaram no Solar de Santa Guesthouse para passar a lua-de-mel. “Pegamos várias referências de amigos que já conheciam o Rio. Todos falaram maravilhas da Lapa, mas não era exatamente esse tipo de bagunça que a gente estava procurando. O Solar caiu do céu como uma opção para a gente.”, conta Martín apoiado por sua esposa. “Aqui é muito lindo e muito calmo. Tem muito verde em volta, isso é muito bom. A gente pode visitar a cidade, mas ficar tranqüilos aqui no final do dia é muito bom. É como se fosse outra cidade. Ontem à noite saímos e fomos ali na Lapa. Foi divertido, quero repetir hoje de novo. É bom estar se divertindo com um monte de gente, e ao mesmo tempo saber que quando voltarmos para o hotel vamos poder relaxar de novo”, complementa ela.

Natacha Barcellos, responsável pela recepção e eventos do Solar de Santa diz que atualmente muitos casais estão fazendo reservas ali pelo mesmo motivo de Fabíola e Martín. “É uma proposta diferente de hospedagem, aliando o conforto e exclusividade com locais turísticos muito procurados por esse público mais jovem. A tranqüilidade de Santa Tereza foge dos padrões de badalação da Zona Sul. Acho que isso atrai os hóspedes”, afirma ela.

quintal-da-casa-aurea.jpgO empresário Cornelius Rohr inaugurou o albergue Casa Áurea há cerca de cinco anosm quando ainda não haviam opções de hospedagem em Santa Tereza. “Com tudo que a gente fica sabendo que rola de bom na Lapa, eu queria muito ficar em um lugar por perto. Achamos a Casa Áurea, e não pensamos duas vezes. O albergue é ótimo, barato, e é tão perto da Lapa que dá pra ir andando. Estamos muito animados!”, conta a mineira Camilla Nogueira, de 21 anos que está fazendo um mochilão pelo Brasil com um grupo de amigos. Com a revitalização da Lapa, os empresários do ramo de hotelaria, como Cornelius e Rogério estão apostando nas redondezas do local. Cerca de 10 albergues e pequenos hotéis foram inaugurados na Lapa e arredores nos últimos 3 anos, e nada indica que a tendência vai parar tão cedo. E quem ganha com isso não são apenas os turistas, mas também toda a cidade.

Por Carolina Ruiz

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Novas opções na Lapa

outubro 11, 2007

Famoso por seus bares e casas noturnas em Botafogo, o Grupo Matriz vem se expandindo para a Lapa há alguns anos. A primeira casa do Grupo foi o Teatro Odisséia, inaugurado em 2004, uma aposta (certeira) no crescimento da Lapa. De lá pra cá, outras 3 casas foram abertas, a mais recente inaugurada esse ano. A Choperia Brazooka, como foi nomeada, fica em uma casa colada ao Teatro Odisséia. Com seus 4 andares, mais de 200 lugares, 3 varandas, entre outros atrativos, a casa já é a maior choperia da Lapa.

fachada-brazooka.jpgA idéia de abrir uma choperia já é antiga. Dois anos antes, quando o Grupo abriu a Taberna do Juca na Lapa, viu que era um bom negócio. Tempos depois, quando a Taberna foi vendida, resolveu abrir a choperia de fato, também devido à grande demanda de pessoas procurando lugares bacanas para tomar um bom chope na Lapa. O público é grande e diverso – o que já é tradição para as casas do grupo – como explica Daniel Koslinski, um dos três sócios do Grupo Matriz. “Todas as casas do Grupo Matriz têm perfis diferentes, mas sempre com uma ‘alma’ em comum. Boa parte do público entende isso e se identifica com essa ‘alma’. Essa foi uma das razões do sucesso do grupo desde o começo, acreditar que boa arte, música, cultura e entretenimento independem de tribos”, explica o empresário.

Levar o perfil do Grupo da Zona Sul para a Lapa foi, aparentemente, fácil em meio a todo o processo de revitalização que vem acontecendo no local. Koslinski encara essa tranformação com otimisto: “Esse processo todo só é bom para a Lapa, seus comerciantes, moradores e para a população do Rio em geral. Boemia e malandragem (o bom malandro, né…) não têm nada a ver com degradação, assaltos, ruas escuras e abandono”. O público também está bem satisfeito com tudo isso, pois as iniciativas privadas de restauração da Lapa e abertura de novos bares e casas noturnas está dando para os freqüentadores da noite boêmia uma opção mais segura de diversão, mas que vinham se afastando devido à insegurança. O empresário dono do Grupo Matriz adiciona, “O comércio informal toma as calçadas e não deixa espaço para as pessoas caminharem, vendem bebidas alcoólicas para menores. Os flanelinhas dominam as ruas extorquindo dinheiro debaixo das barbas da PM. Isso afasta um público que não está a fim de enfrentar essa guerra”. Mas afirma que o papel de garantir a segurança da população é do Estado, mas que isso não vem acontecendo de fato. “A iniciativa do estado por ali é muito tímida e pouco abrangente. Muita gente ali investiu tudo, apostou no bairro e tem o direito de lucrar, mas mesmo assim é muito difícil porque o poder público não ajuda. Os comerciantes salvaram a boemia da Lapa, agora cabe à Prefeitura e ao Estado fazerem sua parte”, conclui. galera-brazooka.jpg

Quanto a segurança, diversão e cultura, o Brazooka é o point ideal, reunindo tudo isso em um só lugar. A música ambiente segue o conceito da Festa Brazooka, que acontece às sextas-feiras na Casa da Matriz, em Botafogo, um sucesso no currículo do Grupo. E Daniel garante que o investimento do Grupo Matriz na Lapa ainda não parou. Quando questionado sobre os futuros projetos do Grupo, ele limitou-se à um simpático “Aguarde-nos!”. E nos resta aguardar mesmo, pois se depender dos empresários e comerciantes, a Lapa ainda terá muita história pra contar.

Por Carolina Ruiz

Fontes:
Choperia Brazooka
Lá na Lapa